25 de mai de 2015

das confissões

Eu tinha medo. Tanto medo que nunca coube dentro de mim - escapava nitidamente pelos olhos baixos, pelas mãos tremulas, pelo esboço da voz embargada. Eu estava, eu era embargada. Tinha medo de gente que me olhava distante e de gente me que olhava bem de perto querendo me despir, assim, só pelo olhar. Morria de medo de gente. Não abraçava a gente, não cumprimentava a gente, não permitia que os outros me vissem além do que eu gostaria. O medo me paralisava, e então, eu me cobria e só olhava pra dentro.  Viver passou a ser uma ameaça, um desafio perdido e eu sobrevivia esperando o dia em que aquela ameaça seria concretizada. 
A ameaça da intimidade humana sempre foi o meu grande medo.  Não concebia o "abrir-se" ao mundo, as pessoas. Pessoas são fracas: eu me sentia fraca. Me sentia pobre de força interior e isso escapava, os outros percebiam, eu percebia. 
E fui percebendo[...]
Percebi que meu medo não era medo de outrem mas de mim. Medo de quem eu poderia ser, do que esse alguém no qual eu me tornaria poderia fazer com os outros. Meu medo era medo da humanidade vazia que é do outro mas que antes de ser do outro, de ser o outro, é minha, sou eu. Descobrir-me como o outro, me tornou dona do meu medo e hoje não morro mais de medo, eu prefiro viver pra ter medo. Aquele que vive  o medo, o supera.

[insisto: o outro sou eu]

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